Imagine essa cena: um aluno entra animado na sua academia, fecha o plano e começa a treinar com toda a energia do mundo.
Passam-se algumas semanas… e, de repente, ele some.
Quando você percebe, já é tarde demais: a matrícula foi cancelada e você nunca chegou a entender o motivo.
Essa história é mais comum do que parece. E, na maioria das vezes, não tem nada a ver com o preço ou com a concorrência. A causa está em um ponto simples — mas muitas vezes negligenciado: a falta de escuta ativa e acompanhamento real da experiência do cliente.
Ouvir o que seu aluno tem a dizer é uma das ferramentas mais poderosas para reter clientes e melhorar o serviço. E não estamos falando apenas de responder quando alguém reclama, mas de criar uma cultura de feedback contínuo e estruturado.
Neste artigo, vamos mostrar como você pode usar avaliações e feedbacks para transformar a experiência dos alunos e garantir que eles queiram ficar.
- O valor de ouvir seu cliente
Em um mercado cada vez mais competitivo, academias e estúdios que se destacam são aquelas que conhecem profundamente seus clientes — não por adivinhação, mas por ouvir ativamente o que eles têm a dizer.
Isso significa ir além do “como foi seu treino?” e criar espaços reais para que o aluno compartilhe suas percepções, desejos e insatisfações.
Imagine que um estúdio de pilates percebeu que o horário das 19h, antes o mais cheio, estava ficando cada vez mais vazio. Ao perguntar aos alunos, descobriu que a mudança no trânsito da região estava tornando difícil chegar a tempo. Resultado? O estúdio criou uma turma às 19h30 e reverteu a queda de frequência.
Por que isso importa? Porque quando o aluno sente que sua opinião gera mudanças reais, ele se engaja mais e cria um vínculo de confiança com a sua marca.
Resumindo este tópico:
- Ouvir o cliente é mais do que educação, é estratégia.
- Feedbacks ajudam a detectar problemas antes que eles virem cancelamentos.
- A escuta ativa cria conexão e confiança.
- Como coletar feedbacks de forma constante
Coletar feedback não deve ser um evento esporádico — e sim um hábito.
Empresas que crescem de forma consistente são aquelas que criam mecanismos permanentes de escuta, integrados ao dia a dia, sem depender apenas de momentos pontuais como a renovação do plano ou a resolução de uma reclamação.
Pense assim: se você espera um ano para perguntar o que seu cliente acha, pode estar perdendo dezenas de oportunidades de corrigir rumos e encantar antes que ele vá embora.
Existem três caminhos principais que funcionam muito bem no mercado fitness:
- a) NPS (Net Promoter Score) – a visão panorâmica da satisfação
O Net Promoter Score é uma das ferramentas mais simples e poderosas para medir a satisfação geral do cliente.
A pergunta central é direta:
“De 0 a 10, qual a chance de você indicar nossa academia para um amigo?”
Com apenas essa resposta, você consegue:
- Identificar rapidamente se a experiência está sendo positiva ou negativa;
- Comparar resultados ao longo do tempo;
- Criar metas de melhoria e acompanhar sua evolução.
Dica prática:
Ao aplicar o NPS, sempre dê espaço para um comentário aberto logo após a nota. Muitas vezes, é nessa parte que surgem as percepções mais ricas — e que mostram exatamente o que precisa ser mantido ou ajustado.
Exemplo real:
Um estúdio de yoga aplicou o NPS trimestralmente e percebeu que a queda na nota estava relacionada à dificuldade de estacionar no horário das 18h. Ao firmar parceria com um estacionamento próximo, não só recuperaram a pontuação, como aumentaram o número de indicações feitas por alunos satisfeitos.
- b) Pesquisas rápidas – ajustes finos no dia a dia
Enquanto o NPS é ótimo para medir a satisfação geral, as pesquisas rápidas ajudam a investigar pontos específicos, com foco em ação imediata.
Essas pesquisas podem ser feitas:
- No balcão da recepção;
- Via QR Code nos equipamentos ou nas paredes;
- Pelo grupo de WhatsApp dos alunos;
- Dentro do app de gestão, como o EVO.
A chave é manter a objetividade:
- 1 ou 2 perguntas no máximo;
- Linguagem simples e direta;
- Foco em algo que possa ser ajustado rapidamente.
Exemplo de pergunta:
“Como você avalia a limpeza dos vestiários nesta semana?”
“O horário da sua aula está atendendo bem sua rotina?”
História real:
Uma academia de musculação usou QR Codes nas catracas para perguntar sobre o tempo de espera nos aparelhos. Ao identificar que certos horários estavam com fila, reorganizaram a grade de treinos orientados para distribuir melhor o fluxo — resultado: menos frustração e mais satisfação.
- c) Escuta ativa – o termômetro invisível do relacionamento
A escuta ativa é a arte de perceber, registrar e agir sobre o que o cliente comunica, mesmo quando ele não está formalmente respondendo a uma pesquisa.
Isso envolve:
- Estar presente nas interações, olhando nos olhos e ouvindo de fato;
- Fazer perguntas abertas que incentivem a pessoa a falar (“O que você mais tem gostado nos treinos?”);
- Anotar insights e observações para que não se percam no dia a dia.
Por que é tão poderosa?
Porque captura informações que muitas vezes o cliente não colocaria em um formulário.
Às vezes, uma frase dita no corredor — “essa música está muito alta” ou “o ar-condicionado não está gelando como antes” — já é suficiente para antecipar um problema.
Exemplo real:
Uma escola de natação percebeu que alguns pais sempre ficavam de pé durante as aulas das crianças. Ao conversar informalmente, descobriu-se que as cadeiras estavam em número insuficiente. O gestor comprou mais assentos e ainda criou um espaço de convivência, aumentando a satisfação e as chances de retenção.
Criando um ecossistema de feedbacks
O ideal é combinar as três estratégias:
- NPS para medir a satisfação geral;
- Pesquisas rápidas para resolver pontos específicos;
- Escuta ativa para captar percepções espontâneas.
E o mais importante: crie rotina e consistência.
Não basta aplicar o NPS uma vez ou fazer uma pesquisa rápida quando lembra — a coleta precisa ser sistemática.
Resumo deste tópico:
- NPS → visão geral da satisfação, ótimo para medir evolução.
- Pesquisas rápidas → foco em pontos específicos, com ação imediata.
- Escuta ativa → percepção constante, captando sinais antes que virem problemas.
-
Compartilhe